Texto Crítico / 2009
" A arte contemporânea manifesta-se através de uma liberdade nunca antes vista. Utilizando-se de suportes cada vez mais inusitados a fim de expressar temáticas das mais diversas , pode-se dizer que em arte contemporânea tudo é permitido e viva o legado de Duchamp!
Dessa maneira nosso olhar espanta-se diante de trabalhos realistas, que têm a coragem e a ousadia de se mostrarem claramente dentro desse atual panorama de significados ocultos, e por que não dizer, muitas vezes incompreensíveis.
O trabalho de Andrea Consentino perturba por justamente revelar-se , sem charadas ou exigência de repertórios amplos, sendo imagens acessíveis a qualquer olhar. E por falar em olhar, através da enorme escala a artista convida-nos a enxergar em close-up aquilo que normalmente permanece oculto.
Muito distante dos detalhes perfeitos alcançados através de recursos como o photoshop, na pintura de Andrea nos deparamos com aquilo que é realmente humano, desde a imperfeição de uma arcada dentária, até as inevitáveis rugas e marcas de envelhecimento.
Suas faces se expõem de forma incisiva, e através de expressões de dor, espanto ou travessura, nos deparamos com a nossa própria humanidade, com aquilo que nos aproxima e ao mesmo tempo nos diferencia.
Nesse sentido, é impossível sentir-se indiferente ao impacto causado pelas suas pinturas, que feitas à maneira tradicional, óleo sobre tela, revelam um desenho primoroso e trazem de volta à contemporaneidade um dos papéis fundamentais da arte, que é a identificação do espectador com o objeto artístico. "
Gabriela Albuquerque - crítica e curadora
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
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